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HOMENAGEM A CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

No passado dia 16 de abril celebrou-se o nascimento de Carolina Beatriz Ângelo, a 1ª mulher portuguesa a exercer o direito de voto em Portugal, a 28 de maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, facto que mereceu a cobertura de jornais de toda a Europa, admirados pela sua coragem e pelo aparente rumo progressista da recém-criada República Portuguesa.
Desde 1975, em sinal de apreço pela luta da conquista da igualdade feminina, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Consideramos, porém, que Dia da Mulher é todos os dias pois persistem, e agravam-se, preconceitos, atos de discriminação e violência em relação às mulheres.

Porque Abril também se tornou

“(…) a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”
(Sophia de Mello Breyner)

a turma A do 9º ano do Agrupamento de Escolas de Gavião, orientados pela professora Raquel Gouveia, em parceria com o Clube do Ambiente, professora Cristina Mingacho, a Autarquia e a Banda Juvenil de Gavião, Maestro Paulo Pires, homenageou esta MULHER tenaz, obstinada, inteligente, prática, inconformada, rebelde e temperamental, que lutou, pacificamente, para a emancipação e afirmação dos direitos cívicos e políticos das Mulheres. Ao som do hino nacional “A Portuguesa”, plantou-se simbolicamente um carvalho – português no espaço escolar, precedido da leitura de momentos biográficos sobre Carolina.
A ti, Carolina, dedicamos “O Teu aniversário”, de Guerra Junqueiro:

Pediste-me sorrindo, ó minha flor gentil,
Uns versos às tuas vinte alvoradas de Abril.
Vinte anos já!… não creio, estás equivocada…
Enganas-te. Eu irei perguntar à alvorada
Quantas vezes pousou em êxtase, ao de leve,
A sua boca de rosa em tua fronte de neve.
Vinte anos! Podes crer, pomba que eu idolatro,
Que se o corpo fez vinte, a alma, não: fez quatro.
A tua alma nasceu inefável, divina,
Para ser sempre grande e sempre pequenina.
É como a estrela d’alva; enche o seu esplendor
O Mundo, e ela não enche o cálix duma flor!…

A memória do ato de Carolina vingará com o carvalho, árvore da SABEDORIA, da JUSTIÇA, da FORÇA e da REPÚBLICA.
Que este carvalho, símbolo da IMORTALIDADE e do SAGRADO, seja o primeiro da Linha de Carvalhos, Sobreiros e Azinheiras que queremos ver crescer na nossa escola, evocando a áurea de tantas outras portuguesas, e a simplicidade do verde, dos valores ancestrais da terra, do espírito ecológico da nossa gente.

Parabéns, Carolina, figura da Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Cidadania!
Parabéns Carolina, tu, beirã que vieste de terras de Viriato conquistar Lisboa, a Europa e o Mundo!
Tu, decerto, bordarias cravos na lapela dos que ousaram conquistar Abril!

Raquel Gouveia

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